Mandrágora | Centro de Cultura e Pesquisa de Arte é um projecto associativo fundado em Cascais, Portugal, a 20 de Novembro de 1979.
Associação cultural é o nosso pseudónimo legal. Mas somos mais que isso.
Somos um genuíno clube de esquina, o característico grupo português de reflexão e pesquisa preconizado por Agostinho da Silva.
Caminhamos para os trinta anos de actividade ininterrupta.
Começámos com o impulso dado por outro português d'antanho, Emídio Santana. E tornámos também nossa, em parte, a herança do psiconauta esquecido, Manuel Grangeio Crespo. Todos eles desaparecidos desde há alguns anos.
Nós ainda não.
Espectáculos multimédia, performances, exposições, publicações, o nosso trabalho tem sido apresentado por todo o país, com especial incidência em Cascais (onde surgimos), Oeiras e Lisboa. Lá fora estivemos presentes em Espanha, Bélgica, Itália e Polónia.
Encontrámos sempre espaço para novos amigos. E connosco se iniciaram na criação artística pluridisciplinar mais de uma centena de jovens.
Para lá de todas as influências que tenhamos necessariamente recebido, a nossa raíz continua a mesma: Mandrágora.
- Somos porque ainda estamos a ser.
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Em cena:
'A MANDRÁGORA'
Um espectáculo enraizado na peça homónima de Nicolau Machiavel.
Na Sociedade Guilherme Cossul (Santos, Lisboa).
Dias 6 e 7 de Junho '08 às 21h45.
Com: Bruno Corte Real, Bruno Vilão, Gonçalo Matos, Manuel de Almeida e Sousa, Marco Ferro, Ricardo Mestre, Rita Penim e Sara Ferreira.
Som ao vivo: Igor Sousa.
Coordenação técnica: Miguel Matias.
Cenografia e figurinos: colectivo Mandrágora.
Sonoplastia: Ricardo Mestre.
Encenação e texto: Manuel de Almeida e Sousa.
Para Nicolau Maquiavel (1469-1527), um dos mais penetrantes e lúcidos pensadores políticos da humanidade, o mundo é o que é: nele convivem maridos estúpidos, como Nícias, e mulheres virtuosas como Lucrécia; frades devassos como Timóteo; parasitas como Sóstrata e, por que não, jovens honestos como Calímaco.
Personagens centrais de 'A Mandrágora', elas não compõem apenas um retrato fiel e irónico da sociedade florentina do século XVI. Configuram, acima de tudo, a forma que Maquiavel escolheu para satirizar a corrupção da Itália de sua época e, principalmente, a corrupção da Santa Madre Igreja. Nesta comédia ele ataca os vícios e a imundíce em que seus contemporâneos estavam mergulhados e, da mesma forma como em 'O Príncipe', escreve uma obra que se mantém tão actual hoje como há quinhentos anos.
Para mim (Cascais, 1947), esta outra 'A Mandrágora' é uma aventura que transporta imagens da obra de Maquiavel para um projecto estético que tem (também ele) por nome Mandrágora.
São as imagens que me interessam, não o discurso dramático. O discurso desta acção vale o que vale. Não é uma obra teatral, tão-pouco um poema. É uma coisa construída por um fazedor de coisas - muito bem acompanhado, aliás, por uma equipa com quem tenho tido o prazer de fazer esta e as outras coisas (leia-se projectos anteriores): a Rita, a Patrícia, o Bruno, o Marco, o Miguel, o Ricardo. E agora os que chegaram: a Sara, o outro Bruno (mais jovem) e o Gonçalo.
Mais uma acção, portanto, que passa ao lado do que se convencionou chamar teatro. É muito divertido. Dá muito prazer construir estes objectos que vos apresentamos sempre que nos é possível.
Manuel de Almeida e Sousa
